Presidente confirmou à Globo que não vai ao debate desta quinta-feira (1º), três dias antes do primeiro turno, e encerra a campanha sem participar de nenhum confronto direto na televisão com os demais candidatos.
- Lula (PT) comunicou à campanha que não participará do debate presidencial da TV Globo, nesta quinta-feira (1º).
- É o terceiro e último debate presidencial antes do primeiro turno, e o presidente não foi a nenhum dos três.
- Segundo apuração do ICL Notícias, o risco de o encontro virar alvo de ataques coordenados pesou na decisão.
- Adversários como Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro criticaram publicamente as ausências de Lula ao longo da campanha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou à TV Globo que não participará do debate presidencial marcado para esta quinta-feira (1º), o último antes do primeiro turno das eleições, no domingo (4). O programa vai ao ar logo após o Jornal Nacional, das 21h20 à 0h40, com transmissão pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1.
Com a confirmação, Lula fecha a etapa de debates televisivos do primeiro turno sem ter participado de nenhum confronto direto com os demais candidatos. A campanha já havia sido convidada para os encontros promovidos pelo Grupo Bandeirantes, em parceria com o Estadão, em 23 de agosto, e pelo Flow, no fim de setembro, mas optou por não comparecer a nenhum dos dois.
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Uma decisão que dividiu o entorno do presidente
Segundo apuração do ICL Notícias junto a fontes da campanha, a decisão não foi unânime entre os aliados mais próximos de Lula. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o marqueteiro Sidônio Palmeira defendiam a presença do presidente no debate, enquanto a primeira-dama Janja Lula da Silva teria desestimulado a ida.
O principal receio, segundo as mesmas fontes, era de que o programa se transformasse em uma espécie de "circo" montado por adversários para concentrar ataques em Lula, um risco que aumentaria caso Renan Santos (Missão) obtivesse autorização judicial de última hora para entrar na disputa. Diante disso, o argumento favorável à ausência prevaleceu, e o presidente comunicou à Globo que não participará.
Quem estará no estúdio
A Globo convida para seus debates presidenciais apenas candidatos de partidos com cinco ou mais parlamentares na Câmara. Dentro desse critério, confirmaram presença o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), o governador Romeu Zema (Novo) e o médico Augusto Cury (Avante). Renan Santos, fora desse critério, buscava uma liminar na Justiça Eleitoral para também participar.
Um padrão que se repete desde agosto
A ausência de Lula nos debates já havia se tornado tema de campanha antes mesmo do encontro da Globo. No primeiro debate, promovido pela Band em agosto, Flávio Bolsonaro também não compareceu, sob o argumento de que se tornaria alvo preferencial dos demais candidatos caso o presidente não fosse. Zema seguiu o mesmo caminho naquela data, mas voltou a aparecer nos debates seguintes, promovidos pelo Flow e agora pela Globo.
As ausências renderam críticas recorrentes de outros candidatos. Ronaldo Caiado chamou os dois líderes das pesquisas de "fujões" em mais de uma ocasião e classificou a prática como "covardia moral". Flávio Bolsonaro, por sua vez, direcionou suas críticas à ausência de Lula mesmo após confirmar presença no debate da Globo, dizendo publicamente que gostaria de debater diretamente com o presidente.
O que dizem os analistas
Para parte dos cientistas políticos e pesquisadores de opinião pública, o comportamento de Lula segue um padrão observado em outras eleições: candidatos com vantagem nas pesquisas tendem a evitar debates, por enxergarem pouco a ganhar e algum risco a perder em confrontos com adversários mais distantes nas intenções de voto. O sociólogo Marcos Coimbra, do instituto Vox Populi, avaliou em entrevista à CartaCapital que não via motivo para o presidente se expor a esse tipo de situação, nas condições atuais da disputa.
A redução no número de convidados também chama atenção na comparação histórica. Em 2022, a Globo havia chamado sete candidatos para seu debate presidencial; nesta edição, o número caiu para quatro, reflexo tanto do critério de representação parlamentar quanto do formato mais enxuto adotado pela emissora neste ciclo eleitoral.

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