Bill Gates defende leis para IA e diz que autorregulação não basta


Bill Gates voltou a pedir leis para a inteligência artificial. Em entrevista ao programa "Meet the Press", da NBC News, o cofundador da Microsoft afirmou que a autorregulação das empresas não é suficiente e que governos precisam estabelecer regras obrigatórias de segurança e monitoramento para quem desenvolve IA.

Em resumo
  • Gates defende que os Estados Unidos aprovem legislação para a IA.
  • Para ele, salvaguardas e monitoramento precisam ser obrigatórios, e não voluntários.
  • Ele admite que as regras podem aumentar custos, mas diz que não frearam o setor de forma drástica.

"Autorregulação não basta"

Perguntado se os EUA precisam de uma lei sobre o tema, Gates respondeu que sim. Segundo ele, "ninguém acha que a autorregulação é suficiente", e polícia, legisladores e órgãos de fiscalização precisam entrar na conversa sobre quais proteções devem ser exigidas das empresas.

O bilionário também chamou atenção para os riscos de uso indevido. Ele afirmou que a IA já é poderosa o bastante para ajudar grupos mal-intencionados a provocar danos em larga escala, e lembrou que um "botão de desligar" tem seu papel, mas não substitui monitoramento e salvaguardas embutidos nos próprios sistemas.

A fala reforça o que ele vem dizendo desde agosto, quando afirmou que big techs minimizam os riscos da IA para proteger seus negócios e defendeu uma atuação mais ampla dos governos em temas como empregos, segurança e proteção de crianças. Na época, ele chegou a propor uma organização internacional dedicada ao assunto.

Quem defende o quê

O debate divide o topo do setor. Confira, de forma resumida, como alguns dos principais nomes vêm se posicionando:

Quer regras obrigatóriasDefende padrões e fiscalização internacionaisPede que as empresas desaceleremContra travas e freios
Bill Gates (Cofundador da Microsoft)
Quer regras obrigatórias
Leis e monitoramento obrigatórios, com participação de autoridades, sem frear drasticamente o setor.
Demis Hassabis (CEO do Google DeepMind)
Defende padrões e fiscalização internacionais
Apoia um órgão internacional para fiscalizar modelos avançados e avaliá-los antes do lançamento.
Sam Altman (CEO da OpenAI)
Defende padrões e fiscalização internacionais
Pediu à ONU padrões internacionais para medir capacidades, avaliar riscos e manter supervisão humana.
Brad Smith (Presidente da Microsoft)
Pede que as empresas desacelerem
Diz que as empresas não precisam esperar uma lei federal para reduzir o ritmo e critica a corrida entre elas.
Dario Amodei (CEO da Anthropic)
Pede que as empresas desacelerem
Defende desacelerar o desenvolvimento, mas só até o ponto em que as empresas ainda liderem a China.
Mark Zuckerberg (CEO da Meta)
Contra travas e freios
Rejeita pedidos para frear a IA e afirma que concorrência e riscos legais já incentivam sistemas seguros.
Donald Trump (Presidente dos EUA)
Contra travas e freios
Rejeitou neste mês pedidos para que o governo federal imponha travas às empresas de IA.

Resumo das posições públicas mais recentes segundo Tecnoblog e NBC News. As categorias são uma simplificação editorial do Daily Brief.

O obstáculo: convencer os países

Gates reconhece que nem os governos estão totalmente preparados. Segundo ele, as autoridades ainda precisam ampliar o conhecimento sobre IA para lidar com as mudanças econômicas e sociais que a tecnologia deve provocar. Em outro trecho da entrevista, o cofundador da Microsoft disse que fazer os países chegarem a um acordo sobre regras para a IA deve ser ainda mais difícil do que foram as negociações nucleares da Guerra Fria.

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