Assembleia da ONU termina: guerras, IA e a disputa pela ordem mundial


A 81ª Assembleia Geral da ONU chegou ao fim nesta segunda-feira (28)
depois de uma semana de alto nível em Nova York dominada pelas guerras em Gaza e na Ucrânia, pelas tensões em torno do Irã e por uma disputa sobre o futuro da ordem internacional. Resumimos o que aconteceu e o que os dois primeiros oradores, Lula e Donald Trump, levaram à tribuna.

Em resumo
  • O debate geral começou em 22 de setembro, com discursos de Lula e Trump, nessa ordem.
  • Os temas centrais foram as guerras, a credibilidade da ONU e o papel da inteligência artificial.
  • Os dois líderes apresentaram visões diferentes: reforma do multilateralismo, de um lado, e força e ações nacionais, de outro.
  • Protestos ocorreram do lado de fora da sede, com prisões, segundo balanço da imprensa.

A Assembleia em números

193
países-membros da ONU
81ª
sessão da Assembleia Geral, aberta em 8 de setembro
1955
ano em que o Brasil passou a abrir os discursos
2027
ano da sucessão de António Guterres

Por que o Brasil fala primeiro?

Desde a 10ª sessão, em 1955, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral, uma tradição que se manteve em 2026. Em seguida vem o país-sede da ONU, os Estados Unidos. Neste ano, Lula abriu a sequência e Donald Trump falou logo depois.

O que cada um levou à tribuna

Os dois presidentes trataram de assuntos diferentes ou olharam para os mesmos temas por ângulos opostos. Veja, tema a tema, o que cada um disse:

A ONU e a ordem mundial
LULA (BRASIL)
Disse que a ONU vive uma crise de credibilidade, criticou o poder de veto das grandes potências e defendeu a reforma do Conselho de Segurança.
TRUMP (EUA)
Destacou o desempenho dos EUA no atual governo e afirmou preferir agir diante de ameaças a esperar que os problemas avancem.
Guerras
LULA (BRASIL)
Criticou o governo de Benjamin Netanyahu por Gaza, uma caracterização contestada por Israel, e condenou os ataques do Hamas. Disse que a guerra na Ucrânia não terá vencedores e defendeu negociações.
TRUMP (EUA)
Defendeu a atuação militar americana contra o Irã e afirmou que o país não pode ter arma nuclear. Teerã diz que seu programa é pacífico, e a delegação iraniana deixou o plenário durante o discurso.
Inteligência artificial
LULA (BRASIL)
Defendeu mais regulação das big techs e da IA e responsabilização das empresas.
TRUMP (EUA)
Tratou a IA como uma disputa estratégica entre potências e disse que os EUA estão à frente da China.
América Latina
LULA (BRASIL)
Criticou o embargo a Cuba, defendeu que os venezuelanos decidam o próprio destino e cobrou a Nicarágua por restrições à oposição.
TRUMP (EUA)
Afirmou que o governo cubano está fragilizado e sob a maior pressão em décadas.

Resumo das falas segundo a cobertura de CNN Brasil e O Brasilianista. As caracterizações são de cada orador.

Outros destaques da semana

A tecnologia também esteve em pauta fora dos discursos dos presidentes: o CEO da OpenAI, Sam Altman, pediu à ONU a criação de padrões internacionais para medir capacidades e riscos da IA. Do lado de fora, manifestações pró-Palestina resultaram em prisões nos arredores da sede.

E agora?

Com a Assembleia encerrada, as atenções se voltam para a sucessão de António Guterres no cargo de secretário-geral, prevista para 2027. A escolha do próximo líder da ONU costuma passar por negociações entre as grandes potências.

Fontes: CNN Brasil, O Brasilianista, BM&C News, EFE/Infobae e NBC News.

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